Algodão Brasileiro: de rejeitado a um dos maiores exportadores globais

 

Por Evelyn Gomes

Atualmente o Brasil é o segundo maior exportador de algodão no mundo figurando como o quarto maior produtor global apresentando um índice de crescimento entre 13% e 19% maior do que colheitas anteriores e assim atingir os bons números pré-pandêmicos quando a crise sanitária provocada pela COVID-19 derrubou os números da indústria têxtil global e freou o crescimento produtivo brasileiro que tinha como expectativa dobrar o volume de produção em 5 anos.

O produto que no passado foi considerado um dos piores por conta de muitas contaminações, sujeiras e variação da qualidade nos dias atuais é tido como um dos melhores do mundo graças aos investimentos e avanços tecnológicos propiciados pela indústria 4.0 através da automatização das lavouras, monitoramento em tempo real das plantações e do clima, sistemas de geoestatistica, integração de várias ferramentas em um mesmo ambiente além de vários estudos que envolvem a qualidade do solo, sementes, análises sobre o manejo de culturas e ações que garantem ao produto selos de sustentabilidade.

Inclusive, essa é uma das marcas do algodão nacional já que o país é o primeiro colocado na produção no sistema sequeiro, 92% da área brasileira de plantio não requer irrigação, além de responsável esse método é econômico. Nesse quesito o país está atrás de Israel (100% da área plantada sem uso de água), Austrália (95%) e à frente da China onde 20% das áreas de cultivo dependem da irrigação. A produtividade alcançada pelos brasileiros é de 1.800 kg/hectare de pluma de acordo com a Cotton Brazil cujo preço médio da tonelada foi negociado a US$ 2.523,50.

A produção da safra 2020/2021 chegou a 2,787 milhões de toneladas de algodão tendo o estado de Mato Grosso como responsável por 70% do total de áreas de cultivo cuja maior concentração está localizada nas regiões oeste do estado onde inclusive se encontra o município de Sapezal, o maior produtor brasileiro. No entanto, as cidades de Rondonópolis e Campo Verde no sudeste mato-grossense além de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop no Médio Norte do estado também apresentam grande relevância.

O estado da Bahia por sua vez centraliza 21% do plantio e os demais 9% são divididos entre os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Piauí, São Paulo, Tocantins, Ceará, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraná e Pernambuco. Isso acontece por questões climáticas já que a planta se desenvolve melhor em regiões mais secas onde o período de chuvas termina mais cedo sem contar com a questão geográfica porque a produção em larga escala é favorecida por extensões de terras planas.

Outro benefício do plantio de algodão é que em 65% das propriedades a fibra é plantada como segunda safra entre o cultivo de soja e milho beneficiando também a qualidade do solo porque ela necessita uma quantidade elevada de defensivos agrícolas fazendo com que o solo fique mais preparado para o recebimento da próxima cultura.

Todos esses fatores impactam na qualidade do produto que tem como maior mercado consumidor a Ásia onde estão concentradas as maiores indústrias de roupas. Outro grande atrativo é o fato de que 84% da produção recebe o selo de “algodão sustentável” atendendo a demanda do consumidor final já que para a conferência dessa certificação é necessária a verificação e adequação em mais de 178 requisitos de qualidade.

Contem para a gente, vocês são produtores de algodão? O que acham do tema?

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