#CaminhosDoAgro: Caminhões

Por Evelyn Gomes

No nosso conteúdo especial #CaminhosdoAgro já falamos sobre os portos, as ferrovias e o nosso principal modal no escoamento das safras que é o rodoviário, no entanto, ainda não falamos a respeito sobre o veículo responsável pelo transporte dos nossos produtos Brasil afora que é o caminhão.

Segundo OICA (International Organization of Motor Vehicle Manufacturers), o nosso país é o sexto maior fabricantes de caminhões no mundo atrás de México, Índia, Estados Unidos, Japão e China, porém estamos a frente de Indonésia, Rússia, Coreia do Sul e Alemanha. No entanto, essas colocações podem não figurar a realidade isso porque nem todos os mais de 193 países do mundo encaminham seus dados para análise, são apenas 37 os que disponibilizam seus números por serem associados a entidade.

No caso do Brasil, esses valores são coletados a partir de dados do Detran, consolidados por sua vez pelo Renavam de emplacamentos, que posteriormente serão analisados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Independente da posição real que o país figura em rankings como esses, a verdade é que um crescimento superior a 131% em 20 anos é impossível de ser ignorado já que em 2002 foram fabricados 68.500 caminhões contra 158.810 em 2021.

E apesar da crise enfrentada pelo país, o setor tem motivos para comemorar já que apresentou um crescimento de 1,1% no mês de julho em comparação com junho deste ano quando saíram das linhas de montagem 14.639 unidades. De acordo com a Anfavea esse é melhor mês de julho desde o ano de 2013 quando as indústrias juntas produziram cerca de 6.820 unidades, ou seja, um crescimento de 117%.

Se compararmos as produções de 2021 e 2022 pode ser ver um crescimento absurdo nos números, contudo é preciso estar ciente de que a produção de caminhões foi visivelmente afetada pela paralisação nas fábricas em decorrência do desabastecimento de peças causado em reflexo da pandemia de COVID-19 e que ainda assim conseguiu manufaturar 41.558 veículos durante o primeiro semestre de 2021. E, mesmo com alguns desabastecimentos pontuais que ainda vem ocorrendo, o país fabricou 89.253 no mesmo período de 2022.

Entretanto, o setor prevê cenários com otimismo para 2023 já que entrará em vigor uma nova etapa da legislação brasileira de emissões para veículos pesados, o Proconve P8 que obrigará a adoção de motores a diesel Euro 6, mais caros, o que faz com que frotistas já estejam antecipando seus planejamentos de compra de motores Euro 5 para até o final de 2022 já que eles são mais baratos e ainda conseguir escapar dos inevitáveis aumentos de preço que acontecerão em 2023.

Contudo, as projeções apontam que não será repetido o boom de vendas ocorrido em 2011 quando vendeu aproximadamente 173 mil veículos na transição dos motores Euro 3 para Euro 5 em 2012 e um dos motivos são as limitações na capacidade de produção para atender todos os pedidos. Apesar das fábricas terem conseguido diminuir o tempo de espera nas entregas dos pedidos que durante a pandemia chegou a 8 meses, o período ainda é superior a normalidade que varia entre 30 e 60 dias.

Outro projeto que traz bastante ânimo ao setor que experimentou um crescimento superior a 50% nos últimos 2 anos é o Renovar que tem como intuito a retirada de circulação de veículos no fim da vida útil. A adesão ao projeto é voluntária e a operação estará sob responsabilidade da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e terão prioridade no programa transportadores autônomos de cargas e associados de cooperativas do setor.

A animação não é à toa já que dos 3,5 milhões de caminhões em circulação no país, aproximadamente 26% deles tem idade superior a 30 anos. De acordo com pesquisas de montadoras, a idade média dos caminhões brasileiros é de 17 anos quando o ciclo de vida útil normal não deveria ultrapassar os 6.

Contem pra gente, qual a idade da sua frota? O que acham do Renovar?

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