#CaminhosDoAgro: Eliminar o Desmatamento até 2025

Por Evelyn Gomes

A 27ª Conferência do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas) começou no último domingo, 06/11, e durará até o dia 18 de novembro no quais os temas discutidos ali nas reuniões que acontecem esse ano no Egito são de interesse não só como da sociedade, mas também do mundo dos negócios. E, nós já vimos por aqui no blog como os fenômenos climáticos afetam diretamente o agronegócio ao passo que o setor ao menos no Brasil é capaz de gerar uma nova fonte de geração de receitas sustentáveis através do mercado do crédito de carbono.

Por que o agronegócio deve estar atento a esses painéis? Primeiro que as maiores empresas do ramo mundialmente falando detalharam nessa semana um plano para eliminar o desmatamento de suas cadeias produtivas em soja, carne bovina e óleo de palma em até 3 anos. Segundo ONGs ambientalistas, eliminar imediatamente o desmatamento seria um dos únicos caminhos afins de evitar que seja ultrapassado o aumento de 1,5ºC na temperatura global em comparação com os registros do século XIX como efeito do aquecimento global.

Ainda que as áreas de cultivo sejam responsáveis retentoras do carbono, o desmatamento de florestas para o emprego de áreas agrícolas e pecuárias faz com que as enormes quantidades de emissão de gases de efeito estufa (gases poluentes) cresçam ano após ano acelerando as mudanças no clima. Além da questão ambiental, há uma pressão social e mercadológica sobretudo quando o assunto é exportação já que o Parlamento Europeu, entre outras medidas, aprovou nesse último setembro um projeto de lei que proíbe a compra de produtos originários de áreas desflorestadas.

Por que começar especificamente por essas commodities? Atualmente, esses três produtos compreendem juntos 25% das emissões do setor global de alimentos isso sem contar ao fato que de acordo com cálculos feitos WWF (World Wide Fund for Nature Inc.) a emissão de poluentes na atmosfera é 11% maior na carne e 13% na soja produzidas em regiões fruto de desmatamento em comparação com itens livres desflorestamento.

O foco inicial dessas empresas para atingir a meta de eliminar a exploração ilegal de florestas e matas é a Amazônia, o Cerrado e o Chaco – essa que está distribuída pela América do Sul entre Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil. O primeiro passo é a elaboração de uma avaliação de risco de conversão de ecossistemas para a produção que servirá de base para o processo de implementação de medidas e o estabelecimento de metas, entre elas já está a divulgação dessas mudanças a partir de 2024 além de sistemas que realizem o monitoramento de áreas desmatadas maiores de 25 hectares.

Ambientalistas expuseram alguns pré-requisitos que essas grandes companhias precisam seguir para serem eficazes:

  • Compromissos pré-existentes com data de corte anterior a 2020, como a Moratória da Soja na Amazônia;
  • Abranger todos os ecossistemas naturais, levando em consideração o carbono acima e abaixo do solo para estimar as emissões de CO2;
  • Transparência e rastreabilidade total até a fazenda (para todos os fornecedores diretos e indiretos);
  • Exigências e suporte aos fornecedores diretos e indiretos para realizar ações equivalentes em todas as suas operações;
  • Mecanismos para verificar a implementação dos compromissos de cadeias livres de desmatamento;   

  Contem para gente o que acham sobre o assunto? Será possível eliminar o desmatamento?

Categorias: