Déficit de Produtos químicos ultrapassa US$ 15 bilhões

Por Evelyn Gomes

Leitores assíduos do nosso blog sabem que o tema fertilizantes e defensivos agrícolas sempre estão presentes por aqui e de fato e ainda que pareça pauta repetida quem trabalha nas lavouras sabe o quanto esse tema impacta a vida do agricultor. E, se isso impacta os seus lucros no futuro é assunto para a gente debater por aqui.

Desde fevereiro do ano passado, quando estourou a guerra entre Rússia e Ucrânia, vemos uma escassez de fertilizantes no mercado, preços nas alturas que culminam em reflexos negativos para agricultores que vêem suas margens de lucros estranguladas, entretanto eles não são os únicos produtos químicos em falta no mercado.

É isso o que aponta o relatório divulgado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) onde demonstra o desequilíbrio de produtos químicos na balança comercial que atingiu os US$ 15,5 bilhões entre janeiro e abril deste ano, uma retração de 10,3% em comparação a 2022, com valores que atingiram US$ 61,2 bilhões nos últimos 12 meses uma redução de 1,8 bilhões frente ao recorde que havia sido obtido em 2022 (US$ 63 bi).

Nesses quatro primeiros meses de 2023, as importações dos produtos representaram um recuo de 6,6% movimentando o equivalente a 16 milhões de toneladas, produtos considerados inorgânicos tiveram um recuo de 7,9% nas compras enquanto os orgânicos bateram a casa dos 10,1%, grupos esses que são os mais representativos do setor. 

De acordo com a Diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira,”o setor carece de uma agenda estruturante e inovadora, com um projeto nacional de desenvolvimento industrial sustentável de médio e longo prazos, mas é indispensável e urgente uma política comercial pragmática, priorizando a retomada imediata dos níveis tarifários regulares e o combate a surtos de importação, utilizando capacidade produtiva que se encontra ociosa”

Contudo, houveram números positivos no primeiro quadrimestre do ano, aumentos significativos de volumes de importação foram registrados como foram os casos de resinas termoplásticas (29,9%), fibras sintéticas (16,1%) e de aditivos de usos industriais (2,4%), cuja grande maioria tem como países fornecedores os países asiáticos por conta dos preços significativamente inferiores dos que os negociados em períodos anteriores. 

O que também gera uma preocupação por parte da Abiquim e outras entidades brasileiras porque se esses surtos de importação passam a acontecer em grupos estratégicos de produtos químicos, é possível que haja deterioração das condições de competitividade, situação que pode também ser verificada pelos elevados graus de ociosidade do uso da capacidade das plantas nacionais. 

Por isso é importante a defesa de uma Política de Estado de longo prazo que seja capaz de enfrentar os desafios estruturais do setor que abalam a concorrência, e que possa viabilizar a atração de investimentos produtivos ancorados em sustentabilidade com ações imediatas que melhorem as questões comerciais e não agrava ainda mais o cenário atual.

E aí produtor, sentiu diferença também nos defensivos agrícolas? Conta para a gente!

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