Mão de obra qualificada é desafio do Agronegócio

Por Evelyn Gomes

A contratação de profissionais qualificados no Brasil é um desafio para qualquer setor da economia brasileira, e no agronegócio a realidade não tem sido diferente. Está cada vez mais difícil encontrar trabalhadores dispostos a lavorar no campo, isso porque é desejo de muitas pessoas migrarem para as grandes cidades, enquanto aqueles que já estão nessas metrópoles não tem o desejo de retornar mesmo que as ofertas de emprego sejam de melhor remuneração.

Outro detalhe que impacta nas contratações é o da qualidade, como já falamos aqui no blog anteriormente, a sustentabilidade as práticas do ESG tem sido cada vez mais aplicadas no agronegócio impondo avanços tecnológicos em ritmos acelerados logo os profissionais do setor têm de estarem em constante reciclagem capacitaria além de possuírem conhecimentos muito específicos para o desempenho de determinadas funções.

Um ponto importante a ser destacado quando falamos desse ponto é o perfil desses profissionais que além de capacidades técnicas eles devem dispor de capacidades analíticas dado o desafio de aumentar a produtividade com pouquíssima margem para expansão territorial por conta de restrições ambientais.

Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) apontam que esse não é um fenômeno exclusivamente brasileiro, estatísticas demonstram que desde 2010 há mais pessoas vivendo em cidades que no campo e essa é uma realidade que aparentemente se perdurará no futuro, isso é o que indicam as projeções do Banco Mundial, serão 3,1 bilhões de pessoas residindo no campo em 2050 contra as 3,4 bilhões que habitavam em 2020, uma retração de 8%.

Tais estudos parecem ter seus resultados refletidos em algumas partes do mundo já que países como Estados Unidos, Austrália, Emirados Árabes e vários países europeus têm facilitado a conceção de vistos de trabalhos para imigrantes devido a escassez de profissionais nas agroindústrias destes locais. Ainda que a automação e mecanização de muitos processos nas lavouras e outras indústrias relacionadas ao campo diminuam um pouco dessa dependência, ainda não é o suficiente.

Para atrair o retorno e permanência dessa mão de obra, o agronegócio como um todo tem apostado em uma oferta maior de salários acima da média nacional além de contarem com o fator do custo de vida menor para esses trabalhadores em comparação com as grandes cidades. Segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o rendimento médio dos cultivadores de soja no ano de 2017 foi de R$ 2.610,48 mensais, salário 26% maior do que a remuneração média dos trabalhadores das demais categorias no país durante o mesmo ano.

Outro fator que impacta a questão da mão de obra no agronegócio é a informalidade, já que tanto trabalhadores quanto alguns empregadores ao invés de fazerem a contratação formal, preferem os pagamentos por diária e/ou semanal, o que propicia a rotatividade constante e a escassez já que esses trabalhadores também buscam por tarifas de compensação maiores e não a fidelização e dedicação a um único posto de trabalho.

Vocês também sentem essa dificuldade na busca por mão de obra?

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