O Agro realmente desmata tanto assim?

Por Evelyn Gomes

Quem está inserido no setor do agronegócio como nós, está acostumado a ouvir que nós somos os grandes vilões quando o assunto é desmatamento mas, será mesmo? 

Como vocês já sabem uma das grandes pautas da AgroNegociar além da tecnologia é a questão da sustentabilidade ligada ao ESG (sustentabilidade social, social e governança corporativa) e o tema de hoje é tentar desmistificar um pouco toda essa discussão. Lembrando que a ideia aqui não é uma competição de quem mais desmata e sim demonstrar a realidade. 

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) datado do ano de 2016 mostra que a área produtiva agropecuária brasileira era de 78 milhões de hectares, tendo mais de 5 milhões de estabelecimentos enquanto o tamanho da área de assentamentos do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) contava com 88 milhões de hectares e um público de pouco mais de 1,6 milhões de pessoas. 

De acordo com esse estudo há mais áreas demarcadas como assentamentos que áreas destinadas à agropecuária, a preocupante questão aí é a discrepância entre as rendas geradas por cada uma, isso porque, enquanto os estabelecimentos rurais têm uma média de R$ 232 mil por ano, os assentamentos têm uma média de R$ 20 mil/ ano, pelo menos 10 vezes menor. 

O estudo Embrapa Territorial de 2016 também afirma que a Reforma Agrária até aquele momento havia desapropriado 88 milhões de hectares que estavam distribuídos em 750 mil lotes dos quais cerca de 70% dos lotes eram de propriedade estatal, o equivalente a 61,6 milhões de hectares que representam 10% do território nacional ocupado por assentamentos do MST (Movimento sem Terra).

Outro estudo solicitado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) também realizado pela INCRA em parceria com o IBGE aponta que existiam 557.695 estabelecimentos agropecuários da reforma agrária, essas áreas geravam uma receita bruta de R$ 11 bilhões, se comparado com a produção agropecuária anual que é de R$ 1,2 trilhões, a contribuição econômica dos assentamentos no Brasil, significa 0,91% da produção brasileira um valor irrisório para a produção nacional.

O que justifica ainda menos os procedimentos adotados pelo INCRA na criação e instalação dos assentamentos que têm apresentado sinais de destuição da Fauna, Flora Recursos Hídricos e Patrimônio que podem ser irreversíveis tratando-se dos biomas locais, principalmente o amazônico. É o que afirma Rodnei Candeias, Procurador do Estado do Rio Grande do Sul para a CPI do MST.

Ainda segundo ele, o Ministério Público estimou que a madeira extraída da Amazônia pelos ativistas do Movimento Sem Terra provocaram prejuízos de R$ 1 bilhão reiterando o tamanho dos assentamentos frente à agricultura tradicional.

O que você acha desses assentamentos produtor rural? O Agro é mesmo acusado injustamente?

Categorias: