O que é ciência genômica e como ela tem auxiliado o Agro?

Por Evelyn Gomes

Na AgroNegociar além de te auxiliar a negociar melhor, com mais segurança e de modo prático, a gente adora debater sobre temas diferentes e que são de grande valor para o agronegócio, e o tema de hoje pode ser um grande avanço no tratamento de pragas sobretudo para ferrugem asiática que acomete as plantações de soja.

O Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) juntamente com os outros órgãos que compõe o Consórcio Internacional do Genoma da Ferrugem Asiática da Soja celebraram os avanços obtidos a partir do sequenciamento e montagem do genoma de três amostras (dois isolados no Brasil e outro isolado no Uruguai) do fungo P. pachyrhizi, mais conhecido como o causador da ferrugem asiática.

O estudo que foi publicado na respeitada Revista Nature Communications indica algumas pistas sobre as características do fungo como sua alta variabilidade o que o torna muito adaptável e o faz contornar rapidamente suas formas de controle. 

Essa praga é considerada a principal doença da soja desde que foi identificada em 2000, podendo levar a perdas de até 80% caso não seja controlada com extrema urgência o que faz com que agricultores brasileiros gastem em suas produções mais do que US$ 2 bilhões por safra já que o fungo apresenta alta resistência aos fungicidas e até mesmo quebra da resistência genética fazendo com que se tornem cada vez mais limitadas o número de soluções práticas para o combate. 

Por isso se faz tão importante essa descoberta já que a disponibilidade do genoma de referência do fungo pode fazer abrir caminho para tratamentos mais efetivos, como aponta a pesquisadora Francimar C. Marcelino – Guimarães da Embrapa Soja Unidade Londrina (PR) e uma das autoras do artigo no qual participam outras 12 instituições. 

“A disponibilidade do genoma de referência do fungo é essencial para o avanço no conhecimento da biologia e nos fatores envolvidos na adaptabilidade deste fungo, com o intuito de acelerar o desenvolvimento de novas estratégias de controle” – afirma Francimar. 

A pesquisa aponta que 93% do genoma do fungo é constituído de sequências de DNA repetitivos conhecidos como transponsos, esses fragmentos de DNA são capazes de mudar de posição no genoma, o que pode explicar sua grande variabilidade. Outro ponto destacado na pesquisa que se mostra de grande relevância tem a ver com o tempo que o fungo leva para se tornar ativo no hospedeiro.

Eles se tornam ativos entre 24 e 48 horas após a infecção com outros genes essenciais para o sucesso da infecção que diminuem as chances de resposta de defesa das plantas como efetores. Os estudos que ainda não tem prazo para conclusão também identificaram que o silenciamento de genes essenciais é uma estratégia efetiva na redução da severidade da doença. 

E você produtor de soja, já sofreu com a ferrugem asiática? Acha que os estudos podem ser úteis? Contem para a gente.

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