Oferta de óleo pode não ser suficiente para os biodiesel em 2023

Por Evelyn Gomes

O assunto combustíveis é sempre um tema sensível para o agronegócio, afinal ele impacta não apenas os preços relacionados ao frete como também o grão da soja é a principal matéria-prima do biocombustível. Segundo a consultoria StoneX o consumo nacional de biodiesel deve crescer 15,5% o que totaliza 7,3 bilhões de litros. 

Entre os motivos que levam a preocupação é o fato de que as exportações estão aquecidas e essas novas projeções já levam em consideração a mudança na composição do biodiesel já que a mistura de B10 agora contará com 10% de biocombustível entre os meses de abril e dezembro deste ano, se transformando assim em B12 segundo definição do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) cujas expectativas são de aumentar gradativamente para o B15 até 2026.

Apesar do consumo negativo de combustível durante os meses de janeiro e fevereiro deste ano que totalizaram vendas acumuladas de 9,34 milhões de metros cúbicos, uma queda de 2,34% em comparação com o ano anterior, as projeções da StoneX são animadoras já que tomando como base apenas a demanda do diesel B (sem adição de biocombustível), ela deve crescer 1,3% em 2023 e atingir os 64 bilhões de litros. 

Isso porque já se enxerga um crescimento econômico para os segundo e terceiro trimestre, além da aceleração das importações e a expansão da produção de soja e milho, e o aumento do consumo interno do combustível, apenas no mês passado o Brasil importou 1,7 bilhões de óleo diesel o que representa um acréscimo de  43% frente ao mesmo período do ano anterior.

De acordo com dados do governo, o acumulado de importações do diesel já ultrapassam 3,49 bilhões de litros, cujos principais fornecedores são Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Índia e Rússia, essa última que por sua vez apenas exportou para terras tupiniquins 354 milhões de litros, mais que o dobro da quantidade enviada em 2022 (123 milhões de litros) em meio aos embargos de produtos russos pela Europa.

Esse aumento no consumo do diesel é animador já que ele é um indicador de atividade econômica e que também motivou uma revisão positiva no boletim Focus acrescentando 0,1 pontos percentuais às projeções do PIB (Produto Interno Bruto), totalizando uma alta anual de 0,9%.

Se as expectativas de expansão da produção de soja e milho se cumprirem, a demanda por diesel continuará sendo latente, isso porque soja e milho tendem ter suas produções acrescidas em 23,9% e 6,3% respectivamente. Se por um lado, as produções recordes e o número de embarques de óleo superou 654,3 milhões de toneladas, o que representa 46% a mais do que em 2022 e 155% maior do que a média dos últimos 10 anos, é uma oportunidade para atender a oferta global que se vê afetada pela quebra de safra argentina.

Por outro, pode significar aumentos nos preços dos combustíveis e escassez do óleo diesel para o mercado interno, isso porque nosso vizinho é o maior exportador global de óleo e farelo de soja, e atravessou uma grave seca que atingiu as lavouras argentinas. Ainda que para cumprir os acordos comerciais sigamos recebendo exportações da Argentina, o mercado internacional poderá ficar desabastecido.

Contem para a gente o que acharam dessa mudança no biocombustível e como o diesel impacta os seus negócios.

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