Por que a vacina da gripe aviária causa tanta polêmica?

Por Evelyn Gomes

Há alguns dias saiu a notícia que o Instituto Butantan começou a desenvolver a vacina contra a gripe aviária com cepas vacinais que foram enviadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sendo que o primeiro lote das doses já está pronto para os testes pré-clínicos ou mais conhecidos como testes em laboratórios. 

Ainda que não tenhamos tido nenhum caso em humanos confirmado, o receio de uma possível nova pandemia fez com que o Instituto se adiantasse, conforme palavras dos seus representantes “A gripe aviária tem o potencial de causar nova pandemia, daí a mobilização da instituição, que se iniciou em janeiro deste ano”. No entanto, o processo da criação de uma nova vacina é demorado até porque deve ser realizado em diversas etapas. 

O estágio pré-clínico é apenas o primeiro, na sequência são necessários provar a segurança e o potencial da vacina, onde acontece os primeiros testes em humanos e que em geral é a etapa mais longa, conhecida como fase clínica, necessita de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que seja realizada e após essa permissão são analisadas a segurança, a eficiência e a eficácia da vacina para que possa ser solicitado registro e a aplicação na população.

A gripe aviária é tão perigosa assim? 

Como já comentamos aqui no blog ela é um vírus altamente contagioso entre aves contudo pouco frequente em humanos porém não estamos ilesos e podem ser que apareçam casos esporádicos da Influenza H1N5 e que pode levar a pessoa contagiada a morte. O alerta para a doença no Brasil acendeu após o Ministério da Agricultura confirmar casos em animais. 

E, por que tanta polêmica sobre a vacina?

Primeiramente a polêmica não gira em torno da vacinação em humanos e sim em aves, e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou através de comunicado que apoia a realização dos estudos da vacina contra a gripe aviária segundo os pontos defendidos por conselhos internacionais do setor, ao passo que também é contra as barreiras comerciais que vem sido impostas aos países que estão adotando a vacinação.

“Mesmo não demandando a medida para a sua própria produção – já que a estratégia brasileira é de monitoramento e erradicação de eventuais foco – o setor produtivo brasileiro defende que não haja barreiras comerciais às nações que optarem pela adoção de medida” comentou a ABPA em nota e ainda reiterou que a decisão sobre a vacinação se dará “estritamente por decisão do Ministério da Agricultura”. Declaração dada após a confirmação de 5 casos da H1N5 em aves nos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro.

O Ministério da Agricultura por sua vez é contra a vacinação como forma de controlar a doença já que uma campanha de imunização levará inevitavelmente a barreiras comerciais, o que é um grave problema já que o Brasil é o maior exportador de aves a nível global e o que representaria um risco de quase US$ 10 bilhões em exportações de frango brasileiros além de outros produtos derivados já que nosso país assumiu um papel de destaque no abastecimento mundial de aves e ovos.

Contem para a gente o que acham desse tema de vacinas, exagero ou necessário?

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