Por que você precisa saber o que é Agrovoltaico?

Por Evelyn Gomes

Nas semanas anteriores falamos sobre a Cop 27 e como o agronegócio tem papel importante nas ações em combate as mudanças climáticas e o tema de hoje são uma das soluções que alinham inovação, sustentabilidade e claro lucratividade para o produtor.

O termo agrovoltaico foi utilizado pela primeira vez por uma equipe de cientistas franceses liderados por Christophe Dupraz que traduz o uso de painéis solares e o cultivo de culturas destinadas a alimentação compartilhando o mesmo espaço e assim maximizar o espaço produtivo delas. A primeira vez em que os sistemas agrovoltaicos foram utilizados foi em um ambiente de pesquisa em Montpellier no sul da França onde se comprovou a possibilidade de aumentar a produtividade global por hectare entre 35% e 73%.

Após esses resultados, pesquisadores do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar fizeram outra investigação a cerca do tema dessa vez com o objetivo de descobrir a correlação entre a radiação solar e as colheitas de alimentos que culminaram em uma solução sinérgica. Para isso eles fizeram uso de propriedades ao em torno do Lago de Constança localizado na fronteira entre Suíça, Alemanha e Áustria onde instalaram 720 módulos solares bifaciais que cobriam aproximadamente um terço da cultura por hectare no período de um ano.

A ideia é que os painéis montados tivessem altura o suficiente para tanto eles quanto as plantas recebem quantidades equiparadas de luz solar e que pudessem crescer naturalmente, e esse sistema logo se provou um sucesso aumentando a produtividade total da terra em 60% com um custo muito parecido com a instalação tradicional de um painel fotovoltaico e sem a necessidade da competição por terras já que ambos podem coexistir no mesmo ambiente. O que fez com que outras soluções surgissem a partir daí como é o caso das estufas de vidro com painéis solares que além da função energética, retém calor e transpassa claridade para o cultivo das culturas que necessitam dessa proteção para o seu desenvolvimento.

No Brasil já existem fazendas que fazem uso desse recurso e que inclusive arrendam suas terras rurais para a implantação dessas usinas de geração fotovoltaicas que geram uma renda estável e de longo prazo. Esse modelo já praticado há bastante tempo na região nordeste do país com a produção de energia eólica e nos últimos anos tem crescido a distribuição gerada por usinas de pequeno porte com capacidade de 5 megawatts que ocupam espaços entre 10 e 20 hectares.

O arrendamento de terras para a implantação dessas usinas pode acrescer os lucros de grandes produtores entre 5% e 10% enquanto os maiores beneficiados são os pequenos e médios produtores que podem ver seus ganhos serem superiores ao cultivo de suas culturas além da capacidade de geração de fluxo de caixa entre safras é também a cobertura dos custos fixos. Os pagamentos mensais de terras que totalizem entre 5 mil e 10 mil hectares podem render aos seus donos mensalmente cifras entre R$ 5 mil e R$ 22 mil, no entanto, esses valores podem variar dependendo das necessidades das empresas compradoras dessa energia e da capacidade geradora.

Um efeito colateral dessa implementação que pode ser tido como benefício é a segurança trazida a propriedade já que são necessárias a instalação de sistemas de monitoramento que incluem câmeras e alarmes para proteção do patrimônio. E para quem se interessa no investimento há linhas do Plano Safra com condições especiais e facilitadas para o uso de energia solar.

Contem para a gente, vocês adotariam o sistema Agrovoltaico?

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