RG e CPF para gado? Agora eles têm!

Por Evelyn Gomes

Já falamos por aqui o quanto o rastreamento de gado é importante para a qualidade de toda a cadeia pecuária e depois de décadas de muitos entraves e ausência de tecnologias adequadas parece que pouco a pouco vem se dissipando e no momento há muitos interessados em que sejam aceleradas as ferramentas de gestão e regulação do mercado.

Um dos primeiros a acelerar essa corrida é o estado do Pará, que detém o segundo maior rebanho bovino do país com mais de 26,7 milhões de animais de um total aproximado de 200 milhões. 

A ideia é transformar a pecuária paraense ainda mais sustentável e poder servir de exemplo para os outros estados, no entanto, para realizá-lo é necessário a cooperação entre produtores, órgãos governamentais, empresas, instituições financeiras e sociedade, de acordo com a engenheira agrônoma Marina Piatto, diretora executiva do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola).

Apesar da exigência global, esse não é o único motivo para dar ao gado os documentos necessários, a rastreabilidade também é uma oportunidade de aumentar a produtividade, eliminar o desmatamento sem que nenhuma terra indígena seja invadida e que todas as terras as áreas de pastagens degradadas sejam recuperadas, reforça Piatto.

A discussão fez parte do 1º Diálogos Boi na Linha, evento ocorrido em Marabá no último dia 16 de novembro, recebendo representantes dos principais frigoríficos como Rio Maria, JBS e Masterboi além de representantes do MPF – PA (Ministério Público Federal), Abiec ( Associação de Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Febraban (Federação Brasileira de Bancos), além de outras instituições, como o Basa (Banco da Amazônia) e mais associações ligadas aos criadores, agtechs, e outras ONGs, como a Proforest, TNC (The Nature Conservancy) e NFW (International Wildlife Federation), mais representantes da agropecuária familiar.

Para o procurador do MPF – PA o maior desafio será enfrentar a cadeia dos fornecedores indiretos que são os pecuaristas que não vendem o gado para os frigoríficos, mas vendem, por exemplo o bezerro para que outro pecuarista o engorde já que é comum que o animal passe por duas ou três fazendas durante a sua vida. Com as ferramentas de informação começam a surgir trabalhos em sistemas que permitem a requalificação do produtor conforme afirma Ricardo Negrini.

A FEBRABAN também está de olho em toda a cadeia já que 10% das suas carteiras são direcionadas ao agronegócio e que tem um aprendizado desde 2008 e que o setor já está bastante regulado já que desde essa data circula uma lista de infratores e municípios críticos do desmatamento que leva a severas ações de fiscalização e operações da Polícia Federal e IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) contra o desmatamento e reforça o compromisso dos bancos em questões socioambientais também por exigência do Banco Central.

Frigoríficos já monitoram mais de 70 mil fazendas cadastradas como possíveis fornecedoras e bloqueiam aquelas que infringem políticas de conformidade para a compra de gado, no entanto, também auxiliam aquelas que desejam se regularizar e alterar os seus cadastros no CAR (Cadastro Ambiental Rural). E, redes de supermercado e fast food também estão dispostos a participar da cadeia de rastreamento comprando apenas produtos que participem do programa.

E, você o que acha desse assunto? Gostaria de ter seu produto rastreado?

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