Seca no Amazonas: pode atrapalhar o escoamento de safras

Por Evelyn Gomes

Quem acompanha o blog da AgroNegociar sabe que o tema escoamento de safras e seus problemas não é nenhuma novidade por aqui assim como as mudanças climáticas e seus efeitos destrutivos para a nossa cadeia do agronegócio e a seca prolongada desde o final de setembro na região do Amazonas provocada pelo El Niño é só mais uma mostra dessa triste realidade. 

Manaus enfrenta a 3ª maior seca da história e vê o Rio Negro com 28 cm a menos da vazante histórica quando o rio chegou a descer 13,63 metros contra os atuais 13,93 metros, a cidade manaura é apenas um dos 60 municípios que estão enfrentando a queda no nível hidríco, na realidade, em todo o estado apenas 2 cidades estão em normalidade: Presidente Figueiredo e Apuí. 

Mas, quais são as consequências dessa situação? Lagos e igarapés têm secado com vazantes e afetado as comunidades ribeirinhas que vêm sofrendo com a escassez de alimentos e água potável, situação que afeta mais de 68 mil famílias diretamente e causando a morte de botos e peixes nas regiões. 

Outra grande ameaça é em relação ao polo industrial de Manaus, isso porque a seca ameaça parar a partir da semana que vem as fábricas da região que concentram a produção nacional de eletrodomésticos e motocicletas, isso porque, as condições do transporte de cargas pelo Rio Amazonas e seus afluentes pioraram consideravelmente nos últimos dias, o que provoca atrasos nas entregas de materiais assim como o acúmulo de produtos acabados nos estoques. 

Também foram interrompidos o tráfego de navios perto de Manaus e aumentado os custos das rotas comerciais no Norte do país trazendo inseguranças e elevando os riscos para as exportações de milho nos próximos meses. Cenário esse que fez com que o Governo Federal criasse um grupo de trabalho para lidar com essa emergência, autoridades inclusive alertam que o baixo nível dos rios também podem atrapalhar as exportações de cereais na região.

Segundo o Ministério da Agricultura, ainda que o Rio Tapajós e o Rio Amazonas tenham condições de navegabilidade, a navegação ao longo dos afluentes do Rio Amazonas que já é dificultada nesses períodos de seca, têm se tornado especialmente complicada nos últimos dias. O que é uma grande perda para todos os avanços logísticos conquistados nos quais o Brasil conseguiu consolidar as rotas de exportação do norte potencializando a competitividade sul-americana de grãos. 

Os baixos níveis dos rios também afetaram a atracação dos navios transoceânicos ao redor de Manaus e têm impactado os custos de pilotagem que apesar de garantido o escoamento das safras recordes de soja, a distribuição do milho por essas rotas ainda é incerta. 

O grande problema é que essa seca pode durar até 2024 se o El Niño se intensificar no Oceano Pacífico e não houver o resfriamento das águas tropicais do Atlântico Norte, de acordo com o meteorologista Gilvan Sampaio do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais) e que se o cenário não mudar nos próximos dias, as condições climáticas podem adiar a estação chuvosa que em geral se inicia nas primeiras semanas de novembro, o que pode aumentar os custos de transportes e pressionar produtores locais se não houverem aumentos correspondentes nos preços locais.

Entretanto, membros da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) não mudaram suas expectativas para fortes exportações esse ano, já que a entidade ainda conta com os portos do sul e sudeste. 

O quanto essa seca no Amazonas te afeta? Queremos te ouvir!

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