Como as Fazendas Verticais têm revolucionado o Agro?

Evelyn Gomes

Vocês, leitores assíduos do blog sabem que os temas inovação e tecnologia relacionados ao agronegócio correm em nossas veias e o tema de hoje não poderia ser mais atual e relevante já que as preocupações com o crescimento da população global e consequentemente o aumento na demanda por alimentos são latentes enquanto as mudanças climáticas e as exigências mercadológicas impõem o equilíbrio entre sustentabilidade e produtividade.

Na semana passada falamos como as startups do agronegócio têm apresentado crescimento exponencial e vem facilitando vários processos e etapas na cadeia produtiva. As fazendas verticais por sua vez são mais uma alternativa para driblar essas dificuldades porque elas consistem na prática de cultivar plantas em ambientes fechados e controlados. Essas áreas produtivas são ajustadas de acordo com as necessidades da cultura em questão além do uso de técnicas de cultivo sem solo.

Outros benefícios das fazendas verticais são: elas são menos suscetíveis às pragas e mudanças climáticas o que possibilita uma produção de 365 dias ao ano e que possibilita um consumo de água reduzido em até 95% em comparação com as lavouras tradicionais além de diminuir em 50% o uso de fertilizantes e até mesmo eliminar o uso de agrotóxicos. As culturas que hoje são compactadas em prédios, containers e outras diversas construções conseguem produzir até 170 vezes mais por metro quadrado que uma propriedade comum.

As fazendas verticais utilizam dois métodos de funcionamento, o sistema hidropônico que é considerado o de implantação mais simples e com maior custo-benefício em relação ao retorno de investimentos por isso também é o mais adotado por produtores. Seu funcionamento consiste em utilizar uma maior quantidade de água destinada a evapotranspiração da planta enquanto o sistema de aeroponia é aquele em que as raízes são suspensas no ar dentro de um depósito ou tubo e são constantemente molhadas através de aspersores que geram uma nuvem de solução nutritiva.

Problemas relacionados a transporte sejam as péssimas infraestruturas de estradas, alto custos de frete também são minimizados já que as fazendas estão localizadas se não dentro das grandes cidades, muito próximas aos centros urbanos o que pode garantir ainda mais qualidade nos alimentos.

De acordo com o relatório de inteligência de mercado IDTechEx “Vertical Farming: 2020-2030” a captação de investimento em Fazendas Verticais já superou os U$S 1 bilhão em financiamentos desde 2015, e até o ano passado movimentou US$ 3,1 bilhões altas expectativas de triplicar essas cifras até 2026 atingindo então os U$S 9,7 bilhões conforme projeções criadas pela consultoria MarketandMarkets

O relatório “Indoor Farming Market Size, Share & Trend Analysis”, realizado pela indiana Grand View Research, por sua vez, estendeu o prazo da análise em dois anos e concluiu que esse mercado global de agricultura vertical atingirá U$S 17,6 bilhões em 2028.

Se China e Estados Unidos são atualmente os detentores do maior número de fazendas verticais, o Brasil e a América Latina também têm seus radares apontados para esse movimento, apesar de lento ainda o continente sul-americano conta com duas startups atuando no segmento, a brasileira Pink Farms em São Paulo e a chilena Agrourbana localizada em Santiago do Chile.

Contem para a gente o que acham das fazendas verticais? Mudaria o seu modelo de negócio ou compraria os produtos delas?

Categorias: